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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O suicídio e a imprensa

Toda semana a notícia se repete. Não na imprensa, mas na mais veloz forma de se propagar informações, sejam elas verdadeiras ou não: a internet.

A questão sobre suicídio afeta a qualquer um de nós. É emocionalmente muito forte, mesmo que não se conheça a vítima. Também gera muita curiosidade sobre quem era ele ou ela? Tinha problemas? Por que fez isso? O fato é que, se o ato gera comoção e sofrimento a estranhos, imagina à família e aos amigos.

Esta semana, novamente iniciou-se, com uma informação, enviada per um aplicativo de celular, sobre um suicídio, uma professora. “Uma ótima professora”, dizem alguns. Sim, uma ótima professora que sabia esconder muito bem seus sentimentos, sua dor, sua agonia. Que não teve a oportunidade de se abrir, de conversar com alguém. Não necessariamente porque ninguém a quisesse ouvir, mas porque assim são os suicidas. Fecham-se em seus sofrimentos, em suas depressões, em seu próprio mundo de rejeições e insatisfações. A vida para eles não faz sentido e isso, quando é percebido, é visto pelos que se encontram ao seu redor como natural, mas na maioria das vezes passa despercebido.

Assim como essa professora, outros jovens, maridos, esposas, mães, chefes de família também cometeram esse ato, neste ano, chocando a muitos de seus amigos e parentes que sequer imaginavam tal hipótese. E, apesar de estarmos no mês de setembro - também chamado de setembro amarelo - mês que intensifica a conscientização da prevenção ao suicídio, as notícias não são boas. Os índices estão aumentando e, segundo fontes extraoficiais, do ano de 2015 para 2016 dobrou-se o número de casos de suicídios em Rondônia e em 2017 já ultrapassa os 100%  o número de pessoas que cometeram tal ato. Todas pessoas “de bem” que, “sem motivos”, deram um fim ao seu sofrimento (será?).

Apesar de esses casos serem propagados abertamente, pelos internautas, nas redes sociais, por que os suicídios não são relatados na grande imprensa? Porque há um consenso ético, uma espécie de acordo moral que determina que, por respeito à dor e à privacidade da família, suicídios não serão noticiados.

Vanessa Canciam, que em 2003 já abordava o tema suicídio e ética jornalística, publicado no site do Observatório da Imprensa, relata a preocupação de que o “qualquer notícia sobre o assunto pode vir a ser o estopim de uma série de outros atos semelhantes.” Entretanto, isso não é fato comprovado e nem existe consenso entre profissionais de saúde quanto à influência da mídia no estímulo ao suicídio.  Para ela, “não há consenso sobre o assunto. E, ainda que tal consenso existisse, não seria correto utilizá-lo como único parâmetro para guiar a cobertura da imprensa.”

Por outro lado, em um de seus editoriais, o Gazeta Brasilian News alega que “O jornalismo não existe somente para noticiar fatos. Seu papel vai além – o de informar no sentido de instruir a população, de construir uma forma de pensar e proporcionar um compartilhamento de informações e experiências, promovendo debate e maior compreensão sobre temas sociais.” Entretanto, opta por não divulgar casos de suicídios alegando que “apesar de serem recorrentes na sociedade, em respeito ao jornalismo e a ética, não divulgamos tais casos, exceto em situações particulares, pela notoriedade dos envolvidos ou pelo interesse público das razões que o levaram ao ato.”

Por Wania Ressutti

Abaixo os artigos mencionados. Vale a pena conferir

Imprensa e suicídio, uma abordagem ética e técnica
por Vanessa Canciam / Observatório da imprensa

O suicídio e a ética jornalística
Editorial do Gazeta Brazilian News

sexta-feira, 11 de julho de 2014

As negociações da Copa


Desde terça-feira (08/07/2014), quando a seleção brasileira foi nocauteada pela brilhante Alemanha por estupendos 7x1, começou na internet uma chuva de “descobertas” sobre as negociações da Copa. A seleção Brasileira, a CBF ou seus dirigentes, sei lá, teriam sido comprados pela Fifa para perder o jogo contra a Alemanha. Chocados com a decisão, os jogadores entraram em campo em estado de choque e perderam o rumo da bola. Está certo, também não digeri aqueles sete gols que a Alemanha nos enfiou goela abaixo. Difícil acreditar que, por pior que a seleção canarinho estivesse jogando, seria capaz de tomar uma goleada por inércia, por incompetência, afinal “eu sou brasileiro e não desisto jamais” é o jargão que corre em 10 entre 10 brasileiros, como desistiríamos assim, no meio da Copa?

Após tamanho vexame (vexame sim, vexame no sentido de vergonha, pois ninguém espera uma derrota tão massacrada), pipocaram na internet comentários sobre a venda da Copa para a Fifa. Até um texto que já havia circulado em anos anteriores, ressurgiu com os nomes trocados e a autoria de um homem que jura nunca ter escrito tal texto. “Tive a infelicidade de trabalhar com o outlook com a minha assinatura e acabou indo com o meu nome quando repassei”, disse Gunther Schweitzer que enviou o tal texto após tê-lo recebido em 1998, sobre a Copa daquele ano.

Ora, ora, essa história de dizer que a Copa havia sido vendida (ou comprada como preferem alguns), já estava na garganta de muita gente disposta a apagar o brilhantismo de um evento que reúne o maior número de nações com o mesmo objetivo: ser o melhor. Se o Brasil chegasse às finais e, se por ventura, se tornasse hexacampeão, o título teria sido comprado para abafar o mensalão, livrar políticos corruptos da cadeia, reeleger a Dilma ou sei lá mais o quê. Como perdeu, também foi comprada, só que em favor de outro. Quem? Alemanha? Argentina?

Há quem diga que a Copa 2014 é da Argentina porque hoje são eles que estão em crise, assim, como disseram ter sido do Brasil na Copa de 70. Então Copa é sinônimo de alento para países que administram mal seus recursos financeiros, que não conseguem administrar seus problemas internos? Ou seria mesmo a nova versão de panis et circenses?

Não entendo muito de futebol, muito menos das negociações que correm na realização de uma Copa, nem como ocorre a liberação para venda de ingressos ou os bônus aos jogadores que participam da Copa, ou mesmo sobre os escândalos da Fifa. Mas sei que sou brasileira e que o Brasil estará disputando amanhã (12/07/2014) a vaga de terceiro melhor do mundo contra a Holanda, outra grande seleção que vem crescendo a cada Copa. E como brasileira que sou, entristecida com a última derrota, com aquele 7x1 ainda piscando na minha frente, estarei torcendo para que a nossa seleção possa reerguer a cabeça com uma vitória e um honroso terceiro lugar. Mas também sei que não podemos ganhar sempre, portanto, se mais uma derrota surgir, que sirva para reflexão. Eu continuarei torcendo sempre para a nossa seleção assim como torço para que nós, brasileiros, tenhamos essa mesma paixão, em outubro, quando escolheremos através do voto a seleção que irá nos representar no país.

texto: Wania Ressutti

foto: Chico Batata/Agecom/Portal da Copa

segunda-feira, 25 de março de 2013

domingo, 29 de abril de 2012

O Artista

Ouvi alguns comentários de pessoas que assistiram ao filme “O Artista”, de Michel Hazanavicius, e para meu espanto, muitos estavam decepcionados pelo simples fato de ele ser mudo e em preto branco. “Não merecia o Oscar”, disseram. Ledo engano. O filme, vencedor do Oscar 2012, tem como protagonistas: Jean Dujardin, no papel do galã do cinema mudo da década de 1920, George Valentin; Bérénice Bejo interpretando Peppy Miller, a estrela do inovador cinema falado - “as pessoas estão cansadas de atores velhos fazendo caretas... abram espaço para os novos”, diz a personagem em uma das cenas; e o encantador Uggie, um cão da raça terrier que deverá, inclusive, ganhar biografia própria.

George Valentin e Uggie levavam a
platéia ao delírio
A beleza de “O Artista” está, justamente no fato de, em plena século 21, a era da tecnologia, da tridimensionalidade, um filme rodado em preto e branco, e mudo, encha os olhos da Academia. E detalhe, sem nenhum beijo cinematográfico, apesar do clima de romantismo que encobre as cenas entre George e Peppy. A história do filme tem início no ano de 1927, em Hollywood, quando George Valentin, astro do cinema mudo encontrava-se no auge de sua carreira. Ao lado de seu cão, que também atuava, lotava os cinemas e levava a plateia ao delírio. Época em que os homens iam ao cinema de terno e gravata, a trilha sonora era tocada, ao vivo, por uma banda que ficava nas proximidades da tela e, após o filme os astros saiam detrás das cortinas para receberem, ao vivo, os aplausos dos espectadores.

Quem era aquela moça?
Em uma dessas apresentações George esbarra acidentalmente em uma fã, Peppy Miller, uma jovem moça que tencionava a carreira de atriz. Mediante os flashs da imprensa o casal é fotografado com a moça dando-lhe um beijo no rosto, o suficiente para alardear o mundo real e virtual: quem era aquela moça? Com o avanço da tecnologia o cinema começa a mudar e o mundo exige som e voz nas telas, o que deu início à queda de George Valentim e à ascensão de Peppy Miller.

Uggie, companheiro fiel.
Envolto ao seu orgulho George recusa-se a aceitar a voz no cinema. Com isso seus filmes e seus sucessos vão sendo esquecidos, e ele perde a alegria de viver. Cada vez mais decadente, conta apenas com a fiel amizade de seu motorista Clifton, vivido por James Cromwell, o inesquecível Sr. Hogget, de “Babe o porquinho atrapalhado”, e Uggie, o cãozinho que rouba a cena nas duas vezes que tenta salvar a vida de seu dono. Peppy Miller, ao contrário de Valentin, vê sua carreira crescer cada vez mais, e torna-se uma grande estrela de Hollywood, mas não esqueça onde tudo começou e da pessoa que lhe estendeu a mão. Em várias ocasiões ela tenta ajudar George que, mais uma vez, deixa seu orgulho falar mais alto.

E assim, o filme vai se compondo, com belíssimas fotografias, dignas da era de ouro do cinema e da fotografia em preto em branco. Mesmo com todo o modernismo tecnológico, as imagens em 3D e os efeitos cada vez mais especiais da nova era cinematográfica, vale a pena render-se ao mudo e descolorido filme “O Artista”. 

Trailler: O ARTISTA (2011)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Curta Amazônia promove concurso de redação sobre Centenário da EFMM

Trabalhadores executam assentamento de dormentes e trilhos em trecho da
ferrovia Madeira-Mamoré.
(Coleção de negativos de Dana B. Merril )
Atenção diretores e diretoras das escolas públicas municipais e estaduais de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará Mirim, preparem seus alunos, vem ai o “1º Concurso de redação sobre o Centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré”. As três melhores redações feitas por estudantes ganharão premiações individuais que vão desde kits escolares, kits de leitura sobre nossa história regional. Já as escolas, cujos estudantes representam, terão como premiação da organização: sessões de filmes infantis e regionais na Mostra de Cinema Infantil em outubro no mês das crianças em suas respectivas escolas. Podem participar escolas da área urbana e rural de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará Mirim. O tema do concurso da redação é: “O Centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré”.

Segundo Lucília Gomes, membro da entidade organizadora do concurso de redação, “o objetivo é promover o estímulo à criação através da escrita e leitura e estabelecer o conhecimento sobre nossa história regional contada pela comunidade estudantil dos três municípios e difundida posteriormente nos demais municípios do Estado de Rondônia. Nesse ano, estamos prestigiando o tema “Centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré” através desse concurso de redação, além de estarmos fortalecendo o cinema nacional na formação de platéia com as exibições nas comunidades envolvidas, valorizando e difundindo nossa memória".

Todas as redações serão catalogadas e doadas às bibliotecas e secretarias municipais em todo o estado de Rondônia para leitura e pesquisa de nossa comunidade rondoniense. O mínimo para o desenvolvimento da redação será de 20 linhas e o máximo de 30 linhas. Sendo permitida somente uma redação por estudante de cada escola.

As redações podem ser enviadas a partir de 15 de janeiro a 15 de abril de 2012 sendo a data final da postagem e entrega na sede da entidade. O resultado dos vencedores do concurso de redação e as escolas que receberão as exibições de filmes serão divulgados durante o 3º Festival de Cinema Curta Amazônia no mês de junho que tem como patrocinador oficial do festival a Eletrosul-Eletrobrás do Governo Federal. A iniciativa da promoção cultural é da Associação Curta Amazônia com apoio da Shiny Star presentes, Guaraná Antarctica, colaboradores Nda Comunicações e o fotógrafo rondoniense Luiz Brito.

Todas as redações serão analisadas por uma banca de profissionais da área cultural e educacional. O endereço para o envio das redações é: Associação Curta Amazônia - Rua Raimundo Cantuária, 712-B, Baixa União, Cep: 76.805-862, Porto Velho/RO. As redações podem ser entregue em blocos por escola ou individual via Correios. Mais informações no email: curtamazonia1@yahoo.com.br.

da assessoria

sábado, 24 de dezembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DOCUMENTÁRIO:

“O sonho não acabou - 100 anos depois”

Carlos Levy, diretor do filme "O sonho não acabou"
Esse é o nome do documentário do diretor rondoniense Carlos Levy que está preparando novo trabalho,  com lançamento previsto para 2012, em homenagem ao centenário da construção da estrada de ferro “Madeira Mamoré”. As filmagens já começaram nos trechos que englobam a ferrovia de Porto Velho a Guajará-Mirim.

Na Bolívia, o documentarista se dedicou a registrar o local do apogeu da produção da borracha, mais precisamente em Cachuela Esperanza, local onde casas e edificações da época ainda resistem ao tempo. O governo boliviano já iniciou processo de revitalização em algumas dessas edificações. Para isso conta com apoio de entidades internacionais.

A cidade é do tempo do império de Nicolas Suarez, seu criador e fundador. Na época, foram construídos hospital, teatro, bares, banco, farmácia, telegrafia, igreja e moradias para atender aos moradores que trabalhavam na extração da borracha e aos convidados europeus e brasileiros de Nicolas Suarez. Hoje, Cachuela Esperanza, com seus 900 habitantes, sobrevive de sua história e da agricultura de subsistência e de passeios turísticos em Guayaramerin, num percurso de 44 quilômetros, via terrestre, com uma travessia de balsa. E na beira do rio pode-se observar a cachoeira que banha a cidade e degustar de uma iguaria regional:  a “pacúpeba” frita, peixe pescado no rio Mamoré.

Residência de Nícolas Suarez - Cachuela Esperanza-Bolívia
“O sonho não acabou - 100 anos depois”, está sendo dirigido por Carlos Levy, um rondoniense preocupado em manter viva a memória de sua terra para futuras  gerações. Através desse documentário, que retrata as pessoas que fizeram e ainda estão fazendo história na busca do sonho de rever as locomotivas da “Madeira Mamoré” em funcionamento. Com um estilo e linguagem diferente, buscando  cenas de época para enriquecer o material, com pesquisa na literatura brasileira e boliviana, Levy quer mostrar que em Rondônia tem pessoas que se preocupam em manter viva a memória da gente e do povo de Rondônia, contribuindo ainda com a história e a produção audiovisual rondoniense.

Golda Barros - Produção de making off
Para a produção do filme Levy conta com o apoio do engenheiro Abrahan Imopoco e Carlo Jopi para a logística da Bolívia (Guayaramerin). Golda Barros está à frente da produção executiva e making of, e conta com o apoio da Pousada “Sítio do Chicão”, no Brasil.

Extraído de dados fornecidos pela Assessoria.